Biografias com Silvio Correa da Fonseca

Em homenagem a esse grande empresário e, principalmente, à família do Doutor Silvio Correa da Fonseca, fundador da Lincx, resgatei a entrevista que fiz com ele para o programa Biografias. É um dos nomes selecionadíssimos do livro Sucesso em Palavras, um compilado de algumas das minhas melhores entrevistas biográficas. Uma grande perda para nosso empresariado, como já falei. Mas um homem que deixou sua marca.

Elias Awad: De onde veio a família Correa da Fonseca?
Silvio Correa da Fonseca: Meu pai é descendente de português e minha mãe de italiano. Meu pai Manoel era médico oftalmologista. Eu nasci no Jardim Paulista. Na rua que eu morava tinha o ponto final do bonde. Eu ia para o colégio de bonde e conheci nesse bonde dois amigos que são hoje meus acionistas na Lincx. Nós estamos juntos há 51 anos. Eu tenho 60 anos. A união para a formação da Lincx começou no bonde. Depois eu fiz o ginásio e científico no Santo Américo, colégio de padres que nos deu uma formação muito rígida e católica. Eles tinham um valor fundamental que é a família. A família é a base de tudo que você tem pela frente e a base de uma empresa.

Como você foi para a medicina?

Prestei vestibular para medicina. Começou um drama. Meu irmão e minha irmã eram excelentes alunos e entraram direto na faculdade. Eu era extremamente preguiçoso e só fui entrar na faculdade no terceiro ano. Meu pai ameaçou não pagar mais cursinho após eu não ter entrado no segundo ano. Mas aí eu entrei na Faculdade de Medicina de Santos. A partir do momento que eu defini que queria medicina já optei por oftalmologia. Eu não gostava muito de desafios então escolhendo oftalmologia já teria um consultório pronto do meu pai. No final da faculdade, os melhores anos da minha vida, eu passei a ser um aluno fora de série. Dos 120 alunos da classe, só 12 acabaram a faculdade sem pegar nenhuma dependência. Eu fui um deles. Prestei exame e entrei no curso de especialização da Santa Casa da Misericórdia em São Paulo. Fiz 2 anos de especialização em oftalmologia e comecei minha vida no consultório com meu pai.

Como foi a experiência com o pai?
Eu aprendi muito com meu pai. Como atender vários tipos de clientes, principalmente pessoas mais simples que precisavam de uma consulta e não podiam pagar. Tive ensinamentos para toda a minha vida nesse período que eu passei com meu pai. Em 1977 eu casei aos 29 anos. Tinha um consultório e trabalhava no pronto-socorro do hospital São Luis. Na fase do primeiro para o segundo filho eu dava plantão no hospital e um amigo me contou que ia trabalhar em um plano de saúde. Após 3 meses, esse meu amigo me chamou para ser seu parceiro no plano de saúde que estava montando. Ele me ofereceu um salário fantástico. Eu larguei um emprego na prefeitura e fui trabalhar com esse meu amigo. Esse meu amigo foi depois de 4 meses morar nos EUA. O presidente da empresa do plano me chamou para ser diretor médico. Eu com arrogância de jovem aceitei o desafio. Ai começou a mudar minha vida.

Você trabalhou em que setor da empresa?
Comecei a fazer a parte administrativa e adorei. Comecei a ter contato com diretores de hospitais e laboratórios. Comecei me relacionar com toda a parte médica de forma agradável. Eu não podia largar meu consultório porque tinha medo do resultado nesse novo desafio. Então ficava meio período no consultório e meio período no plano de saúde. Nós definimos uma estratégia de entrar no mercado de planos de saúde através de um nicho de mercado que era o segmento classe A. Eu escolhi esse segmento porque meu pai tinha sido presidente da Associação Paulista de Oftalmologia e conhecia todos os tops da medicina de São Paulo: Adib Jatene, Angelita Gama, Fulvio Pilegi etc. Eu consegui o melhor corpo médico credenciado num plano de saúde no Brasil. Eu permaneci nessa empresa por 10 anos e voltei para o meu consultório para ficar em período integral. Eu pensei em tocar minha vida mas não estava satisfeito. Depois de uma semana eu vi que adorava o que fazia no trabalho anterior e resolvi montar minha empresa. Eu pensei: “se consegui sucesso com o plano dos outros, imagine com o meu próprio”. Eu convidei todos os meus colegas da outra empresa para vir

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trabalhar na Lincx. Hoje somos todos sócios. São os amigos do bonde. É uma empresa com corpo acionario de amigos e familiares.

Houve problemas nessa nova empresa?
Sim. Na outra empresa eu era apenas diretor médico. Nessa eu era o presidente. Além de tudo da parte médica, precisava saber da parte financeira e administrativa. Voltei a estudar com mais afinco. No primeiro mês vendemos 94 planos. Saímos do zero.

O senhor interligou áreas, indo buscar experiências na Disney como o atendimento e o respeito ao consumidor e trouxe para a área dos planos de saúde?
Nesse aspecto quando você é dono, consegue fazer coisas diferentes. Quando eu montei a Lincx fui atras de tudo de diferente que qualquer empresa fazia. Todas as novidades eu trazia para a Lincx. Se você vê um funcionário te receber com um sorriso e trocar um diálogo de modo amigável e te encanta, porque não trazer isso para a sua empresa.

O nível da saúde pública ajuda o desenvolvimento das empresas de planos de saúde?
Sem dúvida. Se não fosse o precário nível do atendimento público, não haveriam planos de saúde. O governo perde uma grande oportunidade de fazer uma parceria publico-privada e desenvolver a saúde. Pelo contrário, a Agência Nacional de Saúde que foi criada, trata a iniciativa privada como um bicho. Colocam normas, regras, só dificultam. Põem mais impostos, mais reservas técnicas, mais margens de solvência. Vão abafando os planos privados. Estão ficando poucos planos no mercado. A regulamentação do setor foi necessária, mas um plano de saúde não pode ter o mesmo reajuste em São Paulo e na Ilha de Marajó. O reajuste é o mesmo para o Brasil inteiro. Qualquer pessoa de bom senso sabe que o custo da medicina em São Paulo e no Rio é muito maior. Os novos medicamentos e tecnologias chegam nas principais capitais. Era mais fácil trabalhar em conjunto do que se degladiar. Cada vez haverão menos planos de saúde e o atendimento do SUS será maior, causando mais gastos ao governo.

O que pesou para as pessoas aceitarem a sua proposta de trabalhar na Lincx?
Os médicos que eu visitava eram meus amigos pessoais. Quando souberem que eu havia saído por um problema ético, o apoio foi total. Eu não aceitei romper contratos de clientes que já estavam na empresa. A própria classe médica, diretores de hospitais e laboratoriais, além dos meus amigos, me apoiaram na criação de um novo plano de saúde.

Na sua trajetória quais as principais dificuldades e erros?
As dificuldades são inúmeras. Quando você monta uma empresa com teus amigos pessoas e familiares, a credibilidade deles em cima de você é muito grande. Eu sabia que não podia falhar. Não podia dar errado. Foram várias noites sem dormir no início. O capital inicial colocado foi diminuindo. Mas com boa intenção e disposição para trabalhar, dá certo. Se você tiver um sonho e quiser ir atrás, consegue. Tem dificuldades e atitudes que você toma e contraria muita gente. Mas ou você tem convicção que é para o bem de todos e da empresa ou você não pode dirigir uma empresa

Tem que saber falar não?
Um “não” bem falado, todo mundo entende. Um “não” escondido, complica. Se eu precisar falar com os funcionários para fazer carteirinha de cliente, eu sento. A trajetória mostra a hierarquia. Os momentos de sucesso fazem com que todos passem te respeitar. Você não precisa ficar de cara brava ou dar bronca em todo mundo. Chama para uma conversa e resolve.

A saúde pública pode ser totalmente privatizada?
Totalmente não. Mas temos idéias. Hoje pagamos muitos impostos. Porque não sugerir que os planos de saúde, de acordo com o faturamento, sejam obrigados a tomar conta de um pronto-socorro. Diminui a carga de imposto e os planos de saúde vão fazer nesses pronto-socorros, um cartão de visita para a população comprar o plano de saúde.

Como transformar o sonho em realidade?
Só tem um jeito. Tomar café da manhã pensando na sua empresa. almoçar pensando na sua empresa, jantar e quando dormir, sonhar com sua empresa cada vez maior. Depois, sendo ético no mercado e não se dieladiar com os concorrentes. Todos os presidentes dos planos de saúde são meus amigos pessoais. A concorrência existe mas se você for ético e decente, tem tudo para crescer.

Que mensagem o senhor deixa para o leitor?
Eu acho que minha história é de alguém que saiu do nada e chegou onde chegou com uma postura diferente. Respeito a classe médica e aos concorrentes do setor. Hoje o sucesso depende da gestão das pessoas. E é o que eu faço melhor.


 

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