Tentar, no mínimo

Estou aqui em meio à produção das próximas biografias, em meio às disputas da Olimpíada de Londres, em meio às comunicações e repercussões constantes pelo twitter e facebook…

Apesar de achar injusto e completamente sem sentido alguém que nunca acompanha o esporte brasileiro, nem sabe nada sobre cada atleta, ficar por aí xingando e dizendo desaforos aos competidores que acabam por fracassar, não consigo me conformar com o que aconteceu hoje com Fabiana Murer. Continuo então a dizer que pode ser que eu seja também injusto agora, mas o que aconteceu???

Ela sempre salta acima de 4.55m, isso em treino. Era uma favorita a pódio. Ainda nas eliminatórias, fez a primeira tentativa e errou. Fez a segunda tentativa e errou. Quando foi para a terceira tentativa, visivelmente insegura, não saltou. Desistiu de saltar. Pra quem assistia, ficou a dúvida inquietante: mas, o que houve? Qual foi o problema? Ela está fora mesmo?

Depois de alguns minutinhos, era certo. Ela tinha desistido de saltar mesmo. Depois ela explicaria que o vento, naquele momento da terceira tentativa, estava muito forte e seria arriscado saltar. Mas como assim arriscado? Não sei, podem vir pessoas especializadas me explicar os riscos envolvidos, mas por enquanto o que ficou parecendo é que o único risco que existia era o de ela acertar ou errar. Como falam: fifty/fifty.

Levando em conta que você está numa Olimpíada, meu Deus. Ela tinha de ter tentado. Ao menos tentado!! Quem pode dizer o que teria acontecido??? Até a própria Fabiana não pode ter certeza. Será que ela achou que seria feio tentar pela terceira vez e errar?? Mas isso sim é do atleta, faz parte da rotina. Inclusive erros primários. Mas nem tentar????? Achei lamentável.

Na contramão eu destaco uma judoca húngara que se machucou feio no tatame, ainda nas quartas de final. Ela não conseguia colocar o pé no chão. Perdeu, mas estava na repescagem. Quando achávamos que ela desistiria da luta, ela estava lá se apresentando para nova luta. E qual não foi a surpresa maior quando, nos minutos finais, ela ainda ganhou de ippon da outra judoca e foi buscar o bronze. Não conseguiu a medalha, mas ganhou respeito de todos que a viram.

O esporte, como um todo, é tão digno justamente porque é impossível ganhar sempre ou perder sempre. Há erros e acertos frequentes. Lições frequentes. É preciso saber vencer e saber fracassar. Acho que na vida da gente é igualzinho. Temos de nos apresentar à luta sabendo dos riscos. Temos de saber enfrentar os obstáculos e fases ruins. Mas é preciso enfrentar, tentar acertar sempre. É o mínimo.

Vale ler também: Usar os dois hemisférios do cérebro para ser campeão


 

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