Biografias autorizadas ou não?

Recentemente, ouvi uma discussão na CBN, comandada pelo brilhante Milton Jung, sobre as biografias e como algumas delas têm sido cerceadas no mundo editorial.

Concordei com parte daquilo que foi apresentado. Discordei também. Principalmente quando ouvi da possibilidade de que uma biografia possa ferir a verdade por relapso de informação, má fé ou interesses próprios na venda do livro.

Essa não é a regra e eu, como biógrafo, não me incluo nela! Escrever a biografia de alguém é algo muito sério. Permitir-se biografar também! É como se o biografado a partir do dia da publicação do livro passasse a andar nu pela cidade. As pessoas vão saber se é casado, onde errou, os pontos nos quais mais acertou, as relações conflituosas que teve… Enfim, tudo que compõe a trajetória de uma vida.

O que percebo é que muitas pessoas, sejam escritores, biografados ou leitores, buscam nas biografias algo do tipo Big Brother Brasil!!! Querem saber detalhes que na realidade são o lixo da história, o bagaço da laranja.

Escrevo biografias há mais de 10 anos. Claro que meus biografados erram e acertam, mas essas passagens estão citadas nos meus livros para mostrar o que aprenderam com essa situações, como encontraram oportunidades nas dificuldades e principalmente como os erros e os acertos de alguém podem ajudar aos outros em suas vidas pessoais e profissionais.

Todos nós temos uma história para contar.  E devíamos mesmo conta-las às pessoas. Não digo isso pelo ego de protagonizar uma narrativa, mas para que outros aprendam e tirem lições de vida.

A era é a do conhecimento! Particularmente, acredito que saber como Samuel Klein, fundador da Casas Bahia, sobreviveu às barbaridades da Segunda Guerra Mundial, desenvolveu estratégias de sobrevivência, negociou com soldados alemães e russos, trocou uma Europa absoluta e soberana pela América do Sul, pelo Brasil, de quem na década de 1940 mal sabiam o nome da capital. Como esse homem chegou a um país desconhecido, sem dominar o idioma, com esposa e filho de 1 ano no colo, e conseguiu se tornar o Rei do Varejo.

Certamente, enquanto Samuel Klein trabalhava arduamente, outros “biografados” se entregavam às drogas, às orgias, à música, à família, às viagens… ao trabalho também!

Cada qual escrevia a sua biografia. Cada qual pintava a tela de um quadro que representaria anos e anos de passagens e vivências.

A biografia externa as fraquezas, os sentimentos, os motivos para chorar, as conquistas a serem comemoradas, a fórmula do verdadeiro amor, os sonhos, os desejos, as frustrações, as ambições… A verdade!

Por isso, sou um biógrafo especializado em escrever histórias de vida retiradas das entrevistas com as pessoas. Retiradas das observações dos olhares, das expressões das fisionomias, das reações emocionais.

Não há acervo no mundo que relata com maior veracidade uma passagem ou acontecimento, do que uma boa conversa.

Bem… Mas voltando à discussão da CBN, me atenho à discussão da legalidade de se escrever uma biografia, da discussão e que uma biografia pode ou não ser cerceada.

Prefiro aqui dizer que há coisas que são legais, mas imorais. Pode ser legal bloquear, impedir uma biografia no mercado, mas é totalmente imoral. Principalmente quando esta apresenta atritos criados, amores que o biografado conquistou, amores que o biografado perdeu, momentos em que o biografado fraquejou, situações m que ele triunfou…

Principalmente quando esta apresenta dezenas, centenas de páginas de uma vida verdadeira, de uma vida real, de uma vida que foi vivida para se tornar o maior patrimônio que o biografado construiu na terra, ou seja, a própria história protagonizada!  A sua biografia!

Aí vai a discussão que ouvi. Vale a pena ouvir também e opinar!


 

Fatal error: Uncaught Exception: 12: REST API is deprecated for versions v2.1 and higher (12) thrown in /var/www/html/eliasawad.com.br/web/wp-content/plugins/seo-facebook-comments/facebook/base_facebook.php on line 1039